DISTÚRBIOS DO SONO

Apneia do sono

O ronco significa que sua garganta está se fechando excessivamente durante o sono e o barulho do ronco vem do esforço para fazer o ar passar por uma passagem muito apertada.

Estima-se que 30 a 40% da população apresenta ronco durante o sono. Em algumas dessas pessoas, o ronco não tem consequências importantes para a saúde. Entretanto, para 5 em cada 100 pessoas, o ronco é a primeira indicação de uma doença potencialmente perigosa: a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS).

O sono de adultos e crianças é normalmente acompanhado de um relaxamento dos músculos que mantém a garganta firme e aberta. Este relaxamento muscular leva a um leve estreitamento da garganta durante o sono, que não tem maiores consequências para a maioria das pessoas. Nas pessoas com SAOS, o estreitamento da garganta durante o sono é tão intenso que a respiração se torna difícil, como se a pessoa tentasse respirar por um canudo mole. Com a passagem de ar bloqueada, a respiração é interrompida e a oxigenação do sangue rapidamente cai. O cérebro percebe que a respiração está difícil e aumenta o esforço para respirar. Este esforço aumentado desperta o cérebro por poucos segundos para o indivíduo firmar e abrir a garganta.

Estes episódios de obstrução da garganta durante o sono são chamados de apneias e podem se repetir inúmeras vezes durante uma noite de sono, sem que a pessoa perceba o que está acontecendo. 

Os despertares imperceptíveis causados pelas apneias prejudicam a qualidade do sono, tornando-o fragmentado e superficial. Com o passar do tempo, os efeitos disto passam a ser sentidos no dia-a-dia, através de sonolência excessiva, fadiga, irritabilidade, redução da memória e concentração ou alterações do humor. 

Além disso, com as quedas na oxigenação do sangue e o esforço aumentado para respirar, cria-se uma situação importante de estresse sobre o sistema cardiovascular. Os vasos sanguíneos se alteram, a pressão arterial sobe e o coração acelera seu ritmo em resposta às apneias. Hoje se sabe que, por estes mecanismos, a SAOS é uma causa importante de Hipertensão Arterial Sistêmica (pressão alta), Infarto do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (derrame cerebral) e Diabetes. 

Causas da apneia do sono

As causas da apneia são variadas e, frequentemente, se encontram em associação em um mesmo indivíduo. A obesidade é atualmente a causa mais comum da SAOS, devido principalmente à deposição de gordura nos tecidos da garganta, tornando a passagem do ar mais estreita e com maior tendência à obstrução durante o sono. Quanto maior o colarinho da pessoa, maior a possibilidade de desenvolver a SAOS. 

A anatomia dos ossos da face, em especial a mandíbula e a maxila, também determina o aparecimento da doença. Pessoas com a mandíbula pequena ou posicionada para trás (retrognatia) têm maior tendência ao fechamento da garganta durante o sono. O aumento das amígdalas e da adenóide, mais comuns em crianças, também são causas frequentes do problema. 

Algumas substâncias como o álcool e os sedativos (remédios para dormir) aumentam o grau de relaxamento dos músculos da garganta e também podem agravar o ronco ou as apneias. 

Além disso, a obstrução da respiração pelo nariz causada por rinite alérgica, desvio do septo nasal ou hipertrofia dos cornetos contribui para o problema de forma significativa e muitas vezes sua correção é parte importante do tratamento.

Tratamento clínico

Aparelho de pressão positiva nas vias aéreas ou CPAP (continuous positive airway pressure)

Pressão positiva nas vias aéreas (CPAP) é uma forma de tratamento altamente eficaz que usa pressão de ar para manter a garganta e as vias aéreas abertas durante o sono. As máquinas de CPAP são pequenos compressores que bombeiam o ar do ambiente sob pressão para uma pequena máscara adaptada ao nariz. 

A máscara é mantida na posição através de tiras flexíveis. O nível de pressão apropriado para cada caso é determinado durante o estudo do sono (polissonografia), conforme solicitação do seu médico.

Existem vários tipos de máscaras diferentes disponíveis para uma adaptação adequada aos variados formatos de rosto e nariz. Todas são feitas de material muito macio para obter o máximo de conforto e não atrapalhar o sono. Seu médico lhe orientará para o melhor resultado no seu caso específico.

A maioria dos pacientes se adapta muito bem ao CPAP. Eventualmente, algumas pessoas apresentam sensação de claustrofobia e ressecamento do nariz ou da garganta. Estes e outros problemas podem ser solucionados com alguns ajustes. O ressecamento pode ser solucionado através do uso de umidificadores acoplados ao aparelho e as pessoas rapidamente se acostumam com a sensação de respirar com este aparelho já nas primeiras noites de uso.

Aparelhos intra-orais

Estes aparelhos são utilizados apenas para dormir e mantém a mandíbula e a língua posicionadas discretamente para frente, aumentando o espaço na garganta e deixando o fluxo de ar livre. Eles podem ser eficazes em pessoas com apneia do sono de grau leve a moderado.

O responsável pela instalação e manutenção desses aparelhos é um dentista ligado ao centro de medicina do sono, que avaliará as condições bucais e escolherá o melhor tipo de aparelho a ser utilizado em cada paciente. Após a instalação, será feito um acompanhamento que poderá variar de acordo com a severidade da doença e ao receber alta, o paciente retornará ao seu médico para uma avaliação do êxito do tratamento.

Tratamento cirúrgico

Caso sejam identificadas as causas específicas de obstrução das suas vias aéreas, o tratamento cirúrgico pode ser uma opção.

Cirurgias nasais

Cirurgias no nariz são usadas para corrigir bloqueios à passagem do ar, que possam existir. As mais comuns são a correção do desvio de septo e a correção da hipertrofia dos cornetos. Estas cirurgias podem ser parte de um plano de tratamento para a apneia e, geralmente, são usadas em conjunto com outras formas de tratamento ou outras cirurgias.

Uvulopalatofaringoplastia (UPFP)

Esta cirurgia consiste na remoção das amígdalas, quando presentes, e na reconstrução do palato mole de maneira a ampliar o espaço lateral da faringe. A evolução da técnica desta cirurgia foi no sentido de priorizar a preservação da úvula e da linha média do palato mole, sendo que atualmente pratica-se técnica mais conservadora do que nos primeiros anos de sua aplicação. Esta cirurgia é indicada para pacientes jovens, não obesos e com amígdalas volumosas.

Amigdalectomia / Adenoidectomia

A retirada cirúrgica das amígdalas e da adenóide é uma forma de tratamento frequentemente indicada para crianças e adolescentes com a SAOS. Em geral, amígdalas e adenóide hipertrofiadas são as causas mais comuns do problema nesta faixa etária. A eficácia do procedimento nestes casos é em geral muito boa.

Avanço Maxilomandibular

Esta é uma cirurgia que envolve cortar a maxila e a mandíbula e mover ambas para frente, modificando e aumentando o espaço da garganta. Este procedimento é realizado sob anestesia geral e requer internação em hospital por alguns dias. Depois da cirurgia, a mandíbula é fixada na maxila por meio de fios para ser mantida na posição por aproximadamente quatro semanas. Durante este tempo, o paciente permanece em dieta líquida e geralmente sofre perda de peso. 

A partir da retirada dos fios, procede-se um trabalho ortodôntico para re-alinhar os dentes e refazer a oclusão. Este tratamento é longo e caro, porém os resultados são positivos para a maioria dos pacientes. Os melhores candidatos para este tipo de tratamento são aqueles nascidos com uma mandíbula menor que o normal ou com uma maxila posicionada muito para trás.

Radiofrequência de Palato / Roncoplastia

Trata-se de um procedimento pouco invasivo, realizado no consultório médico, com aplicação de energia eletromagnética no tecido do palato mole através de bisturi de radiofrequência. Esta aplicação induz uma cicatrização local com deposição de colágeno, que reduz a vibração do tecido mole e consequentemente o ronco. Este procedimento é indicado para tratamento de casos de ronco primário e apresenta-se como uma alternativa ao uso de aparelhos ou cirurgias mais extensas.

Que mudanças no estilo de vida são aconselháveis?

Para algumas pessoas, certas mudanças no estilo de vida podem reduzir ou até eliminar a apneia do sono.

Posição de dormir

Dormir de barriga para cima faz com que a força da gravidade puxe os tecidos moles da parte de trás da garganta e pescoço, fazendo com que a passagem para o ar se torne estreita ou colapse totalmente. Treinar a posição de dormir para manter você sempre na posição de lado durante o sono pode ser de grande utilidade e ajudar a melhorar seus sintomas.

Redução do peso e exercícios regulares

Para pessoas que estão acima do peso e sofrem da SAOS, a perda de peso isoladamente pode ser o tratamento mais eficaz. Entretanto, uma vez atingido o peso ideal, é importante manter este peso, pois o ronco e as apneias tendem a retornar com o ganho de peso. Consulte um profissional da área da saúde para informações sobre programas de redução de peso saudáveis e eficazes.

Parar de fumar

Estudos recentes demonstram que a irritação que o cigarro causa na garganta, normalmente imperceptível, contribui significativamente para a gravidade do ronco e da apneia do sono. Converse com seu médico a respeito de como fazer para parar de fumar. Existem várias técnicas para aumentar as chances de sucesso.

Evitar álcool e sedativos

Mesmo uma taça de vinho antes de deitar pode agravar o ronco ou as apneias. Você deve evitar beber álcool por pelo menos quatro horas antes da hora de deitar. O álcool e os remédios sedativos (para dormir, para ansiedade ou para dor) podem fazer com que os músculos da sua garganta relaxem mais que o usual provocando obstrução à passagem do ar. Estas substâncias também fazem com que o cérebro tenha mais dificuldade de “acordar” e perceber a falta de oxigênio no sangue, o que resulta em interrupções da respiração mais longas e perigosas.

Acompanhamento do tratamento

Visitas regulares ao seu médico são essenciais, pois a gravidade da sua apneia pode mudar com a idade ou sob influência de diversos fatores. Se você voltar a roncar ou se sentir sonolento durante o dia após o tratamento , é possível que sua apneia tenha retornado e podem ser necessárias medidas terapêuticas adicionais.

Insônia

A insônia é caracterizada pela dificuldade em iniciar o sono ou permanecer dormindo. Se você já sofreu de insônia, você sabe como ela pode perturbar o seu dia, bem como o seu sono. Isto pode fazer você se sentir sonolento ou ter dificuldades de concentração.

Avaliar os aspectos diurnos e noturnos da insônia pode ajudar você e seu médico a entenderem as causas e tratar este distúrbio. É necessário pesquisar sobre o ambiente em que se vive, os hábitos de vida, assim como fatores psicológicos, físicos e psiquiátricos que podem estar envolvidos na gênese deste distúrbio do sono, tornando possível o auxílio dos profissionais da saúde.

Tipos de insônia

A insônia pode ocorrer em pessoas de todas as idades e em geral dura uma ou duas noites, mas às vezes perdura por meses ou até mesmo anos. A insônia é mais comum em mulheres e adultos mais velhos.

Insônia transitória

Insônia transitória é a incapacidade de dormir por um período de poucas noites, com duração menor que quatro semanas. Este tipo de insônia geralmente surge em consequência de estresse ou excitação. Crianças, por exemplo, podem ter episódios de insônia precedendo provas importantes ou eventos esportivos. Adultos frequentemente têm dificuldades de sono relacionadas a algum encontro de negócios importante ou após discussões familiares. As pessoas têm maior dificuldade para dormir quando estão longe de casa, especialmente se viajam entre locais de fuso horário diferentes.

Insônia de curta duração

Períodos de estresse no trabalho ou em casa podem resultar em quatro semanas a seis meses de dificuldades para dormir. Quando a situação se resolve, o sono geralmente melhora e retorna ao normal.

Insônia crônica

Quase 10% da população sofre de insônia crônica – dificuldade no sono todas as noites ou na maioria das noites, com duração maior do que 6 meses. 

A maioria dos insones se preocupa com o seu sono, porém é errado se culpar por todos os problemas do sono.

De acordo com um estudo da Association of Sleep Disorders Center, distúrbios respiratórios e distúrbios da atividade muscular são frequentemente confundidos com insônia e devem ser considerados como possibilidade diagnóstica em um grande número de pessoas que se dizem portadoras de insônia.

Causas da insônia

A insônia é sintoma de algum outro problema, assim como uma febre ou dor de estômago, e pode ser causada por uma série de fatores.

Predisposição para insônia

Algumas pessoas têm maior predisposição que outras para desenvolver insônia durante períodos de estresse, assim como outras pessoas tendem a desenvolver dores de cabeça ou dores de estômago.

Conhecer sua predisposição individual para a insônia e saber que não vai durar muito tempo pode ajudar você a lidar com esta situação quando ela ocorre.

Estresse persistente

Problemas de relacionamento, uma criança portadora de doença crônica ou frustrações com a carreira podem desencadear problemas de sono. Se você sofre com este tipo de estresse, deve procurar acompanhamento profissional para aprender a lidar com estes problemas e a ter maior controle sobre sua vida.

Insônia “aprendida”

Se você tem dificuldades de sono em períodos de estresse, você pode ficar preocupado com o fato de não estar bem disposto no dia seguinte. Você decide se esforçar para dormir, mas infelizmente seu esforço o deixa mais alerta e faz você se concentrar em assuntos preocupantes, causando perda de sono.

Algumas pessoas têm problemas em dormir na sua própria cama, mas dormem facilmente quando não têm intenção de dormir: lendo jornal, assistindo TV ou dirigindo. Até mesmo poucas noites de dificuldades para dormir no mês podem produzir um ciclo vicioso de sono “ruim” e aumentar a preocupação com esse assunto.

O tratamento da insônia aprendida foca em melhorar hábitos de higiene do sono e reduzir preocupações desnecessárias.

Atividades dentro e fora do quarto – mudar as roupas de cama, apagar as luzes, esticar os cobertores – podem ajudar a encorajar a vigília.

 

Hábitos de estilo de vida que podem estar associados à insônia

Uso de estimulantes

O uso de cafeína próximo ao horário de deitar, mesmo que não interfira no início do sono, pode desencadear despertares durante a noite. A nicotina também é estimulante, logo, fumantes podem demorar mais para dormir do que não fumantes. Além disso, você deve estar consciente que os constituintes de muitos dos remédios – incluindo drogas para perda de peso sem prescrição médica; asma e resfriados – podem comprometer seu sono.

Uso de álcool

Você pode pensar que tomar uma taça de vinho ajudará você a dormir, entretanto, o álcool ajuda você a pegar no sono, porém piora a qualidade do sono durante a noite.

Horários erráticos

Se você trabalha em turnos de horários não habituais – tais como à noite ou em turnos rotativos – ou dorme muito mais tarde nos fins de semana do que nos dias de semana, você tem maior probabilidade de experimentar problemas de sono. A manutenção de horários regulares pode ajudar você a programar seu organismo para dormir em certos horários e ficar acordado em outros. Estabelecer uma rotina é importante.

Comportamento sedentário

Você pode achar que um estilo de vida tranquilo e quieto seja o melhor para a sua saúde, mas pessoas com estilo de vida muito sedentário podem ter dificuldades para dormir devido à inatividade durante o período diurno.

Uso inadequado abusivo de comprimidos para dormir

Se você usar comprimidos para dormir todas as noites, eles vão parar de lhe ajudar em poucas semanas. Se você parar de usá-los abruptamente, seu sono vai ficar pior por um certo tempo. Este problema pode ser reduzido se houver uma diminuição gradual das doses do medicamento usado para o sono. 

Estudos recentes têm mostrado que após a abstinência gradual de medicamentos para dormir, o sono não é pior do quando o indivíduo fazia uso dos mesmos. Um médico deve supervisionar este processo.

Fatores ambientais que podem influenciar a insônia

Barulho

Tráfego de carros, aviões, televisão e outros ruídos podem perturbar o seu sono mesmo quando não fazem você acordar.

Luminosidade

A luz atravessa as pálpebras mesmo quando os olhos estão fechados.

Estes fatores devem ser considerados se você está se sentindo cansado, mesmo achando que dormiu profundamente.

Doenças físicas e psiquiátricas que podem afetar o seu sono

Outros distúrbios e doenças físicas podem ocorrer durante o sono e produzir sintomas que são facilmente confundidos com insônia. Estes outros distúrbios requerem atenção médica, pois o tratamento comum para a insônia não melhora os sintomas.

Problemas psiquiátricos

A insônia, especialmente com o despertar precoce, é um dos sintomas mais comuns de depressão. Se você sofre com algum problema psiquiátrico, você pode ter problemas de sono. O tratamento deste distúrbio subjacente frequentemente inclui medicamentos e psicoterapia, podendo também melhorar o sono.

Distúrbios respiratórios

Certos distúrbios podem causar pausas respiratórias repetitivas durante o sono. Isto pode acordar o indivíduo dezenas ou centenas de vezes durante a noite. As pausas podem ser curtas e na maioria das vezes não são lembradas pela manhã. Elas são, entretanto, suficientes para produzir um sono não restaurador.

Um distúrbio respiratório grave durante o sono, por exemplo, a apneia do sono, pode afetar pessoas que respiram normalmente quando estão acordadas. Os problemas respiratórios relacionados ao sono são mais comuns em homens, indivíduos com sobrepeso e adultos mais velhos.

Casos graves de apneia do sono frequentemente se beneficiam do tratamento conhecido como pressão positiva nas vias aéreas (CPAP). Este tratamento mantém as vias aéreas abertas através de um fluxo estável e contínuo de ar por uma máscara colocada sobre o nariz durante o sono.

Movimentos periódicos das pernas

Contrações musculares breves podem causar abalos nas pernas que duram de um a dois segundos e ocorrem repetidamente a cada 30 segundos (frequentemente por 1 hora ou mais), várias vezes por noite. Estes movimentos podem causar centenas de breves interrupções do sono, resultando em sono não restaurador. 

Os movimentos periódicos das pernas são mais frequentes e mais intensos quando envelhecemos. O tratamento pode incluir medicamentos, exercícios no período da tarde, banho quente, ou uma combinação destes.

A reposição de ferro pode ajudar se houver anemia, especialmente se for acompanhado de dormências ou formigamento nas pernas. Para saber mais, consulte o tratamento para Síndrome das Pernas Inquietas.

Atividade cerebral de vigília persistente durante o sono

A monitorização do sono durante a noite pode mostrar que algumas pessoas que se queixam de sono leve ou não restaurador não conseguem aprofundar o sono.

Refluxo gastro-esofágico

Refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago pode acordar a pessoa várias vezes por noite. Normalmente, as pessoas se queixam de “azia”, pirose ou queimação retro-esternal.

Quando o refluxo ocorre durante o dia, as deglutições e a posição ortostática melhoram os sintomas de irritação no esôfago. Durante o sono, as deglutições são menos frequentes e a posição de decúbito causa mais refluxo, fazendo com que a pessoa acorde tossindo ou sufocada. Se você já teve este tipo de problema, tente elevar a cabeceira da cama. Medicamentos podem aliviar os sintomas.

Insônia secundária

Quando a insônia é causada por um distúrbio psiquiátrico (mais frequentemente, depressão) ou desordem médica (mais frequentemente, dor crônica) ela é denominada de insônia secundária.

A insônia secundária pode ser resolvida através do sucesso do tratamento do distúrbio primário, seja físico ou psiquiátrico.

O tratamento direto da insônia através de métodos comportamentais também pode ter sucesso e pode melhorar os sintomas do distúrbio primário.

Quando procurar ajuda

Se você tem problemas para dormir há mais de um mês e isso interfere no seu humor e funcionamento do organismo durante o dia, procure seu médico e peça para ser encaminhado para um especialista em distúrbios do sono.

A história médica, o exame físico e alguns exames de sangue podem ajudar a identificar certas causas. Seu parceiro (ou parceira) e outros membros da casa podem trazer informações importantes sobre o seu sono, tais como se você ronca ou tem o sono muito agitado. Seu médico também vai precisar saber se a insônia o torna deprimido ou sonolento, ou afeta a sua vida de outro modo.

Às vezes a insônia pode melhorar através de educação e orientação. Algumas pessoas naturalmente dormem menos do que outras e simplesmente precisam esquecer a ideia de que todo mundo precisa dormir 8 horas por noite.

Orientações podem ajudar quem tem insônia por hábitos inadequados de sono. Em outros casos, medicamentos e avaliação em centros do sono devem ser recomendados. Se você foi aconselhado a fazer uma avaliação em um centro de distúrbios do sono, você poderá ser orientado a fazer um diário de sono mostrando padrões de sono e vigília por uma ou duas semanas.

Medicamentos para dormir podem ajudar?

Medicamentos para dormir oferecem um sono saudável e podem melhorar a disposição no dia seguinte, mas este alívio é apenas temporário. Eles não são a cura para a insônia.

Às vezes, o uso de medicações para dormir pode ser perigoso, pois enquanto tratam os sintomas da insônia, podem agravar outros problemas, como por exemplo, distúrbios respiratórios. A insônia necessita ser adequadamente diagnosticada e as opções de tratamento devem ser discutidas com o médico antes que o tratamento medicamentoso seja iniciado.

Há muitas classes de medicamentos para se tratar distúrbios do sono, incluindo anti-histamínicos e sedativos. As medicações variam em relação às suas vantagens e desvantagens. Por isso, consulte seu médico para identificar qual o tipo de medicação mais adequado para você. 

Medicamentos para dormir podem ajudar nas seguintes situações:

Jet lag (vôos transmeridionais através de diferentes fusos horários)

Mudanças de várias horas nos horários de sono e vigília podem desencadear insônia e sonolência diurna excessiva. Por uma a três noites, enquanto o organismo se adapta às mudanças de horários, o uso de medicamentos hipnóticos pode melhorar o sono e minimizar os sintomas de cansaço diurno.

Mudanças de horário de trabalho 

Trabalhadores em turnos às vezes se beneficiam do uso de medicação para facilitar o início do sono por uma a três noites durante o período de mudança do turno.

Estresse previsível

Pessoas que sempre ficam agitadas na noite anterior a um encontro de trabalho que ocorre mensalmente, ou antes de dar uma entrevista, podem se beneficiar do uso de medicação indutora do sono em tais ocasiões.

Estresse agudo

Certos medicamentos podem prevenir problemas persistentes de sono por auxiliar uma pessoa propensa à insônia a atravessar situações de estresse, tais como a morte de um familiar ou o início em um novo trabalho.

Insônia crônica

Ter medicações para o sono em mãos pode auxiliar “maus” dormidores a atravessarem crises de insônia periódicas. É importante saber que este tipo de medicação tem melhor efeito se for utilizada por períodos curtos, geralmente por menos de três semanas.

Tratamentos comportamentais

Restrição de sono

A intenção é restringir o período entre deitar na cama e se levantar pela manhã a apenas o período de sono, respeitando-se as necessidades fisiológicas. Os insones geralmente ficam na cama esperando que, com isso, aumentem o tempo de sono. Ao invés disso, o excesso de tempo na cama geralmente afasta o sono, aumentando o grau de alerta e a sensação de frustração.

Controle de estímulos

Para algumas pessoas o quarto é o lugar para se colocar papéis de trabalho ou preocupações. Estas atividades e estes pensamentos são contrários ao sono. Na hora de dormir, estas associações encorajam a vigília. Procedimentos para controle de estímulos removem as atividades não relacionadas ao sono, incluindo o tempo acordado na cama e no quarto. Essas medidas visam melhorar as chances de se dormir mais rapidamente.

Narcolepsia

Doença genética caracterizada por sonolência excessiva diurna, cataplexia (perda súbita de tônus muscular deflagrada por emoções), paralisia do sono, alucinações hipnagógicas e comportamentos automáticos, durante os quais atividades complexas podem ser realizadas sem consciência ou memória do ocorrido. Tem similaridades com alguns tipos de epilepsia e devem ser analisadas pelo especialista competente.

A narcolepsia está ligada aos mecanismos do sono REM, onde estes pacientes entram em sono REM em até 5 minutos após iniciar o sono, enquanto pessoas normais raramente têm tal rapidez.

Em 2001, foi descoberto que a maioria dos narcolépticos tinham perda de células hipotalâmicas contendo hipocretina. O primeiro episódio, em geral, ocorre na puberdade entre 15 e 25 anos. Sua prevalência é de cerca de 50 por 100.000 pessoas.

Síndrome de pernas inquietas

Este distúrbio, comumente, aparece em pessoas sem outras doenças e não está relacionado com distúrbios psicológicos ou emocionais. Na maioria das vezes, o problema afeta as pernas, como o nome sugere, mas também pode afetar os braços.

As pessoas sentem as pernas inquietas de vários modos diferentes, mas todos as descrevem como uma sensação desagradável “algo fervilhando ou rastejando sobre suas pernas” sempre que ficam sentadas ou se deitam, principalmente na hora de dormir. Se você tem SPI, sabe que não é como uma dor de uma cãibra ou dormência, como quando a perna fica “esquecida”. A sensação da SPI também é algo diferente da sensação de picadas, agulhadas ou queimação a que os diabéticos costumam se referir. Esta sensação desconfortável da SPI aparece na maioria dos casos nas panturrilhas e é temporariamente aliviada com a movimentação das pernas.

Em casos mais severos, a síndrome das pernas inquietas pode ser dolorosa, ou ser intensa o suficiente para causar insônia. A necessidade constante de esticar e mover as pernas para aliviar os sintomas da SPI, frequentemente, dificulta as tentativas de se pegar no sono. Como resultado, a pessoa pode se sentir extremamente cansada durante o dia, com comprometimento de sua performance em atividades sociais e laborais.

A sonolência que resulta da inquietude durante a noite não é o único problema diurno que você pode ter se for portador da SPI. Durante o dia, a SPI pode interferir com sua capacidade de tolerar viagens de carro, avião ou qualquer outro transporte em que você precise ficar muito tempo sentado. A privação de sono e o impacto nas atividades diárias podem gerar ansiedade e depressão. 

Cerca de cinco a 10 pessoas em cada cem pessoas experimentam o desconforto da SPI alguma vez na vida. Este distúrbio é mais comum em indivíduos mais velhos, mas pode ocorrer em todas as idades. A SPI pode ser mais grave na gestação, especialmente nos últimos seis meses. Ao longo dos anos, a SPI pode surgir e desaparecer sem uma causa óbvia.

 

O que é o Distúrbio dos movimentos periódicos das pernas (DMPP)?

O distúrbio dos movimentos periódicos das pernas (DMPP), também conhecido como mioclonia noturna, é outro distúrbio que afeta as pernas e interfere na habilidade de dormir à noite, comprometendo as funções diurnas. Enquanto os movimentos da SPI são uma resposta voluntária à uma sensação desconfortável em membros inferiores quando a pessoa está acordada, os movimentos do DMPP ocorrem em sua maioria enquanto a pessoa dorme e são involuntários (não são conscientemente controlados).

Pessoas com movimentos periódicos dos membros não acordam com frequência por causa dos movimentos, embora em raras ocasiões eles possam relatar que os movimentos involuntários do DMPP os façam ficar acordados. A maioria das pessoas com a SPI têm movimentos periódicos dos membros, mas pacientes com o DMPP geralmente não têm SPI.

Os movimentos periódicos dos membros geralmente ocorrem nas pernas, mas também podem afetar os membros superiores. Como o nome sugere, os movimentos ocorrem em intervalos periódicos (regulares), geralmente a cada 30 segundos. Tipicamente, consistem em extensão do hálux (dedão do pé); junto com a elevação do tornozelo, joelho e quadril. Os movimentos às vezes parecem com um espasmo ou um chute. Geralmente não ocorrem continuamente durante a noite, ao invés disso se concentram na primeira metade da noite.

Se você tem movimentos periódicos de sono cinco ou mais vezes durante cada hora de sono, o problema pode ser intenso o suficiente para atrapalhar seu sono. Você pode ser acordado pelos movimentos das pernas que ocorrem imediatamente após adormecer, mas geralmente quando você acorda não percebe que já tinha dormido. Quando isso acontece, você pode se queixar de dificuldades para iniciar o sono.

Se você percebe dificuldades para manter o seu sono noturno, o que de fato pode estar acontecendo é que os movimentos das pernas ao longo da noite sejam acompanhados de micro-despertares (despertares muito breves) que têm como consequência a sensação de sono não restaurador. 

Algumas pessoas não têm consciência de qualquer problema durante a noite, mas os micro-despertares noturnos podem causar sonolência excessiva durante o dia. Essa pessoa pode não ter nenhuma queixa a respeito do seu sono, mas adormece facilmente durante o dia quando está lendo, assistindo TV, trabalhando ou dirigindo.

Os movimentos periódicos dos membros podem causar vários outros problemas, os quais podem afetar seu(sua) companheiro(a) ou você. 

O DMPP é raro em pessoas abaixo dos 30 anos de idade e se torna mais comum com o envelhecimento. O DMPP afeta uma pequena porcentagem de pessoas de 30-50 anos, 1/3 das pessoas entre 50-65 anos e metade das pessoas acima dos 65 anos. Homens e mulheres são igualmente afetados. 

 

Causas dos distúrbios

Embora não se conheçam as causas exatas da SPI e do DMPP, existem algumas condições relacionadas e sinais de hereditariedade a serem considerados.

Síndrome das pernas inquietas

Aproximadamente 30% dos casos de SPI têm causa hereditária. Isto significa que em 30 de cada 100 casos, o distúrbio é transmitido através de genes do pai ou da mãe para seus filhos. Em 70% dos casos não existe causa conhecida. Nos casos de SPI familiar, frequentemente, os sintomas são mais severos e mais difíceis de responder ao tratamento.

Além disso, algumas situações que parecem estar relacionadas aos sintomas de SPI são: deficiência de ferro, problemas vasculares nas pernas, neuropatias, distúrbios musculares, problemas renais, alcoolismo, deficiências de vitaminas e sais minerais. Outras coisas que podem desencadear a SPI são o início ou a suspensão de certos medicamentos, consumo de cafeína, fumo, fadiga, temperaturas altas ou períodos longos de exposição ao frio.

Distúrbio dos movimentos periódicos das pernas

Os mesmos fatores associados com a SPI estão associados com o DMPP. Movimentos periódicos dos membros são mais comuns em pessoas com doenças renais e narcolepsia. Alguns antidepressivos também podem aumentar a frequência dos movimentos periódicos dos membros.

Diagnóstico

Síndrome das pernas inquietas

Antes de prescrever tratamentos específicos, seu médico deve ter certeza de que você tem a SPI. Para isso, você precisa ser avaliado por um especialista em distúrbios do sono. A SPI tem sintomas tão característicos que às vezes o diagnóstico pode ser feito com base na história clínica apenas. Algumas palavras usadas para descrever os sintomas incluem: sensação de algo formigando, apertando, fervilhando ou uma “agonia” sobre as pernas. Estes sintomas desencadeiam uma necessidade irresistível de movimentar os membros. Um outro sinal que aponta para o diagnóstico da SPI é que o movimento alivia os sintomas indesejáveis. Entretanto, um médico precisa avaliar sua história e realizar um exame físico para excluir outros problemas que podem ser confundidos com a SPI.

Distúrbio dos movimentos periódicos das pernas

O DMPP geralmente requer um estudo mais extenso para conclusão do diagnóstico. Pessoas com o DMPP, geralmente, não sentem seus movimentos noturnos e podem apenas referir sono agitado e sonolência excessiva durante o dia. Se você suspeita disso, você pode precisar realizar estudo do sono (polissonografia) a fim de diagnosticar o problema.

Sonambulismo

O sonambulismo é um despertar incompleto, onde uma parte do cérebro da pessoa desperta sem a consciência do fato. O que faz com que, ao acordar, a pessoa não se recorde do ocorrido ou do que fez. Os movimentos são em geral restritos ao leito e de baixa amplitude, mas podendo haver reações de fuga, ataque, ou até dirigir.

Em geral, ocorrem na primeira metade do sono e sem sintomas autonômicos associados (sudorese, e taquicardia), ou expressão de medo.

É comum em crianças (1 a 17%), tendo o pico na fase de transição para a adolescência (11-12 anos). Podendo ocorrer em cerca de 4% dos adultos.

Sua duração é variável, desde poucos segundos até vários minutos. Se o sono não for interrompido, o episódio de sonambulismo termina espontaneamente e a criança continua a dormir em estágios profundos de sono.

Na maioria dos casos, nenhum tratamento é necessário. O sonâmbulo e a família devem ser orientados de que estes eventos raramente indicam problemas médicos ou psiquiátricos sérios. Nas crianças, os episódios de sonambulismo tendem a diminuir com a idade.

O Sonambulismo que começa na idade adulta deve ser cuidadosamente investigado.

Sonilóquio

O Sonilóquio é caracterizado por episódios frequentes de vocalização de sons incompreensíveis e ruídos ou ainda, conversas coerentes durante o sono. Usualmente, ocorre na primeira metade do sono, em fases iniciais do sono não REM, mas pode ocorrer durante o sono REM. Os pacientes não se recordam dos eventos.

Tem uma tendência maior de ocorrência durante a infância, mas também ocorre entre adultos. Em geral, sem sintomas autonômicos associados (sudorese ou taquicardia) ou expressão de medo.

Ocorrem mais frequentemente em períodos de stress, febre, ou sono perturbado.

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Tratamentos

Na Somed você encontra reunidos no mesmo local tratamentos e exames nas áreas de medicina do sono, pneumologia e otorrinolaringologia:

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Distúrbios do Sono

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Existe relação entre ronco e ganho de peso?

Existe relação entre ronco e ganho de peso?

O ronco e o ganho de peso podem sim estar relacionados, afinal o ronco é um distúrbio respiratório do sono comum que, em muitos casos, está relacionado ao sobrepeso. Além disso, sono e alimentação possuem uma relação importante. Continue a leitura e saiba mais! Sono e...

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Quais são as causas da falta de ar?

Quais são as causas da falta de ar?

A falta de ar ou dispneia é uma sensação caracterizada pela dificuldade intensa de respirar, que pode ter origens muito diversas. Em geral, é um sintoma que causa muita angústia no paciente, afinal, pode ser sinal de algum problema sério - como a infecção por...

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