Síndrome de pernas inquietas (SPI)

Distúrbio dos movimentos periódicos das pernas (DMPP)

As pernas e o sono

“Parecem que bichos andam em baixo da minha pele se eu não mantiver minhas pernas em movimento”

“Minhas pernas decidem que querem correr e eu tenho que seguí-las”

“Depois que me deito, alguma coisa agarra minhas pernas e me comanda como se eu fosse uma marionete”

Alguma vez você pensou ou disse algo parecido?

Essas frases podem soar bizarras ou inacreditáveis para quem nunca teve a síndrome das pernas inquietas (SPI), mas estas sensações são todas muito reais para quem tem o problema.

 

O que é a Síndrome das pernas inquietas (SPI)?

Este distúrbio freqüentemente aparece em pessoas sem outras doenças, e não está relacionado com distúrbios psicológicos ou emocionais. Embora isso afete na maioria das vezes as pernas como o nome sugere, também pode afetar os braços.

As pessoas sentem as pernas inquietas de vários modos diferentes, mas todos as descrevem como uma sensação desagradável “algo fervilhando ou rastejando sobre suas pernas” sempre que ficam sentadas ou se deitam, principalmente na hora de dormir. Se você tem SPI, sabe que não é como uma dor de uma cãibra ou a dormência como quando a perna fica “esquecida”. A sensação da SPI é também algo diferente da sensação de picadas, agulhadas ou queimação de que os diabéticos costumam se referir. Esta sensação desconfortável da SPI aparece na maioria dos casos nas panturrilhas e é temporariamente aliviada com a movimentação das pernas.

Em casos mais severos, a síndrome das pernas inquietas pode ser dolorosa, ou ser intensa o suficiente para causar insônia. A necessidade constante de esticar e mover as pernas para aliviar os sintomas da SPI freqüentemente dificulta as tentativas de se pegar no sono. Como resultado a pessoa pode se sentir extremamente cansada durante o dia, com comprometimento de sua performance em atividades sociais e laborais.

A sonolência que resulta da inquietude durante a noite não é o único problema diurno que você pode ter se for portador da SPI. Durante o dia, a SPI pode interferir com sua capacidade de tolerar viagens de carro, avião ou qualquer outro transporte em que você precise ficar muito tempo sentado. A SPI pode interferir na sua vida quando quiser ir ao cinema, concertos ou encontros de negócios. A privação de sono e o impacto nas atividades diárias podem gerar ansiedade e depressão.

 

O que é o Distúrbio dos movimentos periódicos das pernas (DMPP)?

Um outro distúrbio que afeta as pernas interferindo na habilidade de dormir à noite e comprometendo as funções diurnas, é o distúrbio dos movimentos periódicos das pernas (DMPP), também conhecido como mioclonia noturna. Enquanto os movimentos da SPI são uma resposta voluntária a uma sensação desconfortável em membros inferiores quando a pessoa está acordada, os movimentos do DMPP ocorrem em sua maioria enquanto a pessoa dorme e são involuntários (não são conscientemente controlados).

Pessoas com movimentos periódicos dos membros não acordam com freqüência por causa dos movimentos, embora em raras ocasiões eles possam relatar que os movimentos involuntários do DMPP os façam ficar acordados. A maioria das pessoas com a SPI têm movimentos periódicos dos membros, mas pacientes com o DMPP geralmente não têm SPI.

Os movimentos periódicos dos membros geralmente ocorrem nas pernas, mas também podem afetar os membros superiores. Como o nome sugere, os movimentos ocorrem em intervalos periódicos (regulares), geralmente a cada 30 segundos. Tipicamente consistem em extensão do hálux (dedão do pé); junto com a elevação do tornozelo, joelho e quadril. Os movimentos às vezes parecem com um espasmo ou um chute. Geralmente não ocorrem continuamente durante a noite, ao invés disso se concentram na primeira metade da noite.

Se você tem movimentos periódicos do sono cinco ou mais vezes durante cada hora de sono, o problema pode ser intenso o suficiente para atrapalhar seu sono. Você pode ser acordado pelos movimentos das pernas que ocorrem imediatamente após adormecer, mas geralmente quando você acorda não percebe que já tinha dormido. Quando isso acontece, você pode se queixar de dificuldades para iniciar o sono.

Se você refere dificuldades para manter o seu sono noturno, o que de fato pode estar acontecendo é que os movimentos das pernas ao longo da noite sejam acompanhados de micro-despertares (despertares muito breves) que têm como conseqüência à sensação de sono não restaurador. Você pode se queixar de irritabilidade, insônia ou sono não restaurador.

Algumas pessoas não têm consciência de qualquer problema durante a noite, mas os micro-despertares noturnos podem causar sonolência excessiva durante o dia. Essa pessoa pode não ter nenhuma queixa a respeito do seu sono, mas adormece facilmente durante o dia quando esta lendo, assistindo TV, trabalhando ou dirigindo.

Os movimentos periódicos dos membros podem causar vários outros problemas, os quais podem afetar seu(sua) companheiro(a) ou você. Seu companheiro pode referir que é chutado durante a noite, que os cobertores são jogados para fora da cama ou que os movimentos balançam a cama.

 

Estes distúrbios são frequentes?

Síndrome das pernas inquietas (SPI)
Cinco a dez em cada cem pessoas experimentam o desconforto da SPI alguma vez na vida. Este distúrbio é mais comum em indivíduos mais velhos, mas pode ocorrer em todas as idades e em homens e mulheres. A SPI pode ser mais grave na gestação, especialmente nos últimos seis meses. Ao longo dos anos, a SPI pode surgi e desaparecer sem uma causa óbvia.
Distúrbio dos movimentos periódicos das pernas (DMPP)
O DMPP é raro em pessoas abaixo dos 30 anos de idade e se torna mais comum com o envelhecimento. O DMPP afeta uma pequena porcentagem de pessoas de 30-50 anos, 1/3 das pessoas entre 50-65 anos e metade das pessoas acima dos 65 anos. Homens e mulheres são igualmente afetados. O DMPP contribui para a dificuldade em dormir de dois em cada 10 pessoas com o diagnóstico de insônia.


Quais são as causas destes distúrbios?

Embora não se conheça a causa exata da SPI e do DMPP, existem algumas condições relacionadas e sinais de hereditariedade a serem considerados.

Síndrome das pernas inquietas
Aproximadamente 30% dos casos de SPI têm causa hereditária. Isto significa que em 30 de cada 100 casos o distúrbio é transmitido através de genes do pai ou da mãe para seus filhos. Em 70% dos casos não existe causa conhecida. Nos casos de SPI familiar frequentemente os sintomas são mais severos e mais difíceis de responder ao tratamento.
Algumas situações parecem estar relacionadas aos sintomas de SPI. Estas situações incluem: deficiência de ferro, problemas vasculares nas pernas, neuropatias, distúrbios musculares, problemas renais, alcoolismo, deficiências de vitaminas e sais minerais. Outras coisas que podem desencadear a SPI são o início ou a suspensão de certos medicamentos, consumo de cafeína, fumo, fadiga, temperaturas altas, ou períodos longos de exposição ao frio.


Distúrbio dos movimentos periódicos das pernas
Os mesmos fatores associados com a SPI estão associados com o DMPP. Movimentos periódicos dos membros são mais comuns em pessoas com doenças renais e narcolepsia. Alguns antidepressivos também podem aumentar a frequência dos movimentos periódicos dos membros.


Como estes distúrbios são diagnosticados?

Síndrome das pernas inquietas
Antes de prescrever tratamentos específicos, seu médico deve ter certeza de que você tem a SPI. Você precisa ser avaliado por um especialista em distúrbios do sono. A SPI tem sintomas tão característicos que às vezes o diagnóstico pode ser feito com base na história clínica apenas. Algumas palavras usadas para descrever os sintomas incluem: sensação de algo formigando, apertando, fervilhando ou uma “agonia” sobre as pernas. Estes sintomas desencadeiam uma necessidade irresistível de movimentar os membros. Um outro sinal que aponta para o diagnóstico da SPI é que o movimento alivia os sintomas indesejáveis. Entretanto, um médico precisa avaliar sua história e realizar um exame físico para excluir outros problemas que podem ser confundidos com a SPI.

Distúrbio dos movimentos periódicos das pernas
O DMPP geralmente requer um estudo mais extenso para se fazer o diagnóstico adequadamente. Pessoas com o DMPP geralmente não sentem seus movimentos noturnos e podem apenas referir sono agitado e sonolência excessiva durante o dia. Se você suspeita disso, você pode precisar realizar estudo do sono (polissonografia) a fim de diagnosticar o problema.